Quanto cobrar por uma progressiva: cálculo para cabeleireira autônoma (com tabela)

Como a cabeleireira autônoma calcula o preço da progressiva: custo fixo do mês, horas que consegue atender sozinha, hora cheia, produto por comprimento, cota do salão-parceiro, domicílio, teste de mecha, retoque e como explicar o preço para a cliente.

Wellington Dalaqua29 out 2026 · 8 min
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Mulher segura uma mecha de cabelo longo com frizz contra a luz do sol

zhenzhong liu / Unsplash

Progressiva é o serviço que mais assusta na hora de dar preço. Ela ocupa a sua tarde inteira, gasta produto caro e muda muito de uma cliente para outra. Se você atende sozinha, numa cadeira alugada, como parceira de um salão ou em casa, cada hora errada no preço sai do seu bolso.

Este guia mostra como a cabeleireira (ou o cabeleireiro) autônoma calcula o preço da progressiva a partir dos próprios custos: produto, tempo, a sua hora e a cota do salão ou o aluguel da cadeira. Se você tem um salão com equipe, a fórmula completa, com comissão e custo fixo do espaço, está em como precificar serviços de salão de beleza.

Por que a progressiva não pode ter preço único

Duas clientes pedem "uma progressiva". A Paula tem cabelo curto e fino. A Renata tem cabelo abaixo da cintura e muito volume. A Paula sai em pouco mais de 2 horas. A Renata pode passar de 4.

Com preço único, você ganha bem na Paula e trabalha quase de graça na Renata. Por isso o preço da progressiva sempre varia por:

  • Comprimento: curto, médio, longo e extra longo.
  • Volume e espessura do fio: cabelo cheio pede mais produto e mais tempo de prancha.
  • Histórico químico: cabelo com descoloração ou outra química pode pedir mais cuidado e mais tempo.

O que entra no preço da autônoma

Quem atende sozinha não tem recepção nem equipe para dividir custo. Em compensação, tem gastos que o salão não vê.

1. O custo fixo do seu mês

Some o que você paga todo mês, atendendo ou não. Exemplo hipotético da Juliana, que aluga uma cadeira:

Custo fixoValor/mês
Aluguel da cadeiraR$ 1.200
Transporte até o salãoR$ 300
Imposto do MEI, celular, internet e agendaR$ 250
Reposição de ferramentas (prancha, escovas)R$ 100
Cursos e divulgaçãoR$ 150
TotalR$ 2.000
Exemplo hipotético. Use os seus valores.

2. As horas que você consegue atender sozinha

Aqui está o erro mais comum. A Juliana fica 8 horas por dia no salão, 5 dias por semana: 160 horas no mês. Mas ela responde WhatsApp, limpa a bancada, espera cliente atrasada e tem buracos na agenda. Na prática, atende cerca de 100 horas por mês.

Custo fixo por hora = R$ 2.000 ÷ 100 h = R$ 20/h

3. A sua hora de trabalho

O custo fixo não é o seu salário. Decida quanto quer tirar no mês e divida pelas mesmas horas. A Juliana quer R$ 4.000:

Sua hora = R$ 4.000 ÷ 100 h = R$ 40/h

Somando as duas, a hora cheia dela é R$ 60. É esse número que multiplica o tempo da progressiva.

4. O produto por atendimento

Calcule pelo rendimento. No exemplo, o frasco de 1 litro custa R$ 500, então cada ml sai a R$ 0,50. Uma progressiva em cabelo médio usa 100 ml (R$ 50), mais R$ 20 de shampoo, máscara, luvas e descartáveis: R$ 70 de produto.

Anote quanto você usa de verdade em cada cliente. A ficha técnica da cliente ajuda a acertar esse número com o tempo.

5. Taxas e reserva

Cartão tem taxa, e às vezes uma aplicação demora mais que o previsto. No exemplo, a Juliana acrescenta 10% por cima para cobrir a taxa da maquininha e guardar uma reserva.

A conta, passo a passo

  1. 1
    Tempo × hora cheiaProgressiva em cabelo médio, 3 horas: 3 × R$ 60 = R$ 180.
  2. 2
    Some o produtoR$ 180 + R$ 70 = R$ 250.
  3. 3
    Acrescente a reservaR$ 250 × 1,10 = R$ 275.
  4. 4
    Arredonde para cimaPreço da progressiva média: R$ 280.

Tabela-exemplo por comprimento

Mesma conta para cada comprimento, com a hora cheia de R$ 60:

ComprimentoTempoProdutoTempo + produtoCom 10%Preço sugerido
Curto2 hR$ 40R$ 160R$ 176R$ 180
Médio3 hR$ 70R$ 250R$ 275R$ 280
Longo4 hR$ 100R$ 340R$ 374R$ 380
Extra longo ou muito volume5 hR$ 140R$ 440R$ 484a partir de R$ 490
Exemplo hipotético da Juliana. Não é preço de mercado: refaça com os seus custos.

Se você é parceira e o salão fica com uma cota

Na parceria, o salão recebe da cliente e repassa a sua cota-parte. A regra de divisão está no contrato, como explica o guia de salão-parceiro e a Lei 13.352.

Muita parceira não paga aluguel, mas o preço precisa render o suficiente depois da divisão. Exemplo hipotético da Carla:

  • Ela recebe 60% e o salão fica com 40%.
  • O salão fornece o produto (R$ 70) e desconta esse valor antes de dividir.
  • A hora cheia dela, sem aluguel, é R$ 50. Em 3 horas: R$ 150.

A Carla precisa que 60% do que sobra depois do produto seja R$ 150. Então o que sobra precisa ser R$ 150 ÷ 0,6 = R$ 250. Somando o produto: preço mínimo de R$ 320.

Se o salão cobra a cota sobre o valor cheio, sem descontar o produto, a conta muda. Veja como fazer as duas versões em comissão com desconto de produto.

Atendimento a domicílio

Em casa ou na casa da cliente, não tem aluguel, mas tem deslocamento. Some ao preço:

  • O custo da ida e volta: corrida, combustível ou passagem.
  • O tempo no trânsito: 1 hora de deslocamento é 1 hora em que você não atende.

No exemplo, com R$ 30 de corrida e 1 hora de trajeto a R$ 40 (só a sua hora), a progressiva a domicílio custa R$ 70 a mais que a do salão.

Teste de mecha e avaliação

O teste de mecha mostra como o fio reage e quanto tempo e produto a cliente vai precisar. Ele protege as duas: a cliente não estraga o cabelo e você não erra o preço.

Três formas de cobrar:

  1. 1
    Grátis, para quem marca na hora.
  2. 2
    Valor simbólico, descontado se ela fizer a progressiva.
  3. 3
    Embutido na avaliação, junto com a conversa sobre comprimento e histórico.

Quando o cabelo tem descoloração ou química que você não conhece, o teste vale ainda mais. Anote o resultado na ficha da cliente.

Retoque e manutenção

Quando a raiz cresce, muita cliente não precisa refazer o cabelo inteiro. Crie um serviço separado de retoque, pela mesma conta.

O retoque traz a cliente de volta e enche a agenda com um serviço mais curto. Combine o prazo de retorno na ficha e lembre a cliente quando chegar a hora.

Como explicar o preço para a cliente

A cliente não vê a sua conta. Ela vê o número. Explique o que ela recebe, sem pedir desculpa:

  • Mostre a variação antes. "A progressiva vai de R$ 180 no curto a R$ 490 no extra longo. Me manda uma foto do cabelo solto, de costas, que eu te digo o valor."
  • Fale de tempo. "No seu comprimento são umas 4 horas. Reserve a tarde."
  • Feche o valor depois da avaliação. Preço combinado antes evita surpresa no fim.
  • Não dê desconto no susto. Se ela achar caro, ofereça o retoque ou outra data, não um preço abaixo da sua hora cheia.

Falta em progressiva é meia tarde perdida. Confirme na véspera e peça para avisar se não puder vir. Veja como em reduzir faltas no salão.

No atendepramim, cada comprimento de progressiva vira um serviço com duração e preço próprios. Quando a cliente marca pelo seu link, a agenda reserva as 3 ou 4 horas certas, e os lembretes de 24 h e 2 h antes ajudam a segurar a sua tarde. Veja como funciona em agenda para salões e cabeleireiras.

Preço de progressiva começa na sua hora

Antes de olhar o preço da vizinha, descubra a sua hora cheia: custo fixo mais o que você quer ganhar, dividido pelas horas que você consegue atender sozinha. Multiplique pelo tempo de cada comprimento, some o produto e a reserva. Com essa conta, cada desconto vira uma decisão, não um chute. Para montar a lista completa de serviços, veja tabela de preços de cabeleireira.

Perguntas frequentes

Depende da sua hora cheia, do tempo e do produto. No exemplo hipotético deste artigo, com hora cheia de R$ 60, 4 horas e R$ 100 de produto, a progressiva longa sai por R$ 380. Refaça a conta com os seus números.

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