Controle de estoque no salão de beleza: produto de uso, revenda, validade e inventário
Como controlar o estoque do salão separando produto de uso fracionado (tinta, oxidante, descolorante) do produto de revenda, com consumo padrão por serviço, validade, ponto de pedido e inventário mensal.
No salão, o estoque some de dois jeitos. O primeiro é o óbvio: a cliente leva o shampoo da prateleira e ninguém anota. O segundo é silencioso: a tinta que a Marina usa numa coloração, o oxidante que vai pela metade na tigela da Bia, o esmalte que a Carol abre e não termina. Produto de uso não sai em unidade inteira, sai em gramas e mililitros. Por isso o controle de estoque de salão de beleza não pode ser o mesmo de uma loja: boa parte do que você compra nunca vai para o caixa como venda, vai para o cabelo e para a unha da cliente.
Este guia separa o que é produto de uso e o que é produto de revenda, mostra como controlar o fracionado, como lidar com validade, quando pedir e como fazer o inventário sem parar o salão.
Produto de uso e produto de revenda: dois estoques diferentes
O primeiro passo é parar de misturar as duas coisas na mesma prateleira e na mesma conta.
Como controlar produto de uso fracionado
Tinta e oxidante costumam ser os itens que mais pesam no custo e os mais difíceis de acompanhar. Três jeitos práticos, do mais simples ao mais preciso.
1. Controle por unidade aberta
Conte só as unidades fechadas e anote quando uma nova é aberta. "Abriu bisnaga 7.1 em 14/10". Não mede o consumo de cada cliente, mas mostra quantas bisnagas saem por semana e já basta para comprar no tempo certo.
2. Consumo padrão por serviço
Defina quanto cada serviço gasta em média e use isso como referência. Um retoque de raiz em cabelo curto consome uma quantidade; uma coloração completa em cabelo longo, outra. Com a ficha técnica anotando as gramas, você tira a média real em poucas semanas. Veja o que registrar na ficha técnica de coloração.
3. Balança na bancada técnica
Uma balança de cozinha na bancada resolve duas coisas: a fórmula sai igual toda vez e o consumo fica anotado na ficha. Não precisa pesar o esmalte. Pese o que é caro: tinta, descolorante, máscara de tratamento.
O desperdício também é custo
Tinta misturada que sobra na tigela vai para o lixo. Se a sobra é frequente, ajuste a quantidade padrão de mistura. Anote a sobra por uma semana e veja quem mistura demais. Não é para punir: é para acertar a medida.
Produto de revenda: o que sai do caixa
Revenda é mais simples porque sai inteira. A regra de ouro: todo produto vendido passa pelo caixa, na mesma comanda do atendimento ou numa comanda de balcão.
- Venda junto com o serviço. A cliente fez a hidratação e leva a máscara para casa. O produto entra na mesma comanda.
- Venda avulsa. A cliente passa só para comprar o leave-in. Comanda de balcão.
- Comissão de quem vendeu. Se a profissional ganha comissão sobre produto, ela precisa aparecer na venda. Assim a comissão é dela e não de quem estava no caixa.
- Amostra e brinde. Também saem do estoque. Registre como saída sem venda, com o motivo.
Validade: o produto que vence na prateleira
Produto químico vencido não deve ir para a cabeça da cliente. E produto de revenda vencido não pode ser vendido. Três hábitos resolvem a maior parte do problema.
- 1Primeiro que vence, primeiro que saiNa hora de guardar a compra nova, ela vai para o fundo. A que vence antes fica na frente.
- 2Anote a validade na entradaUma etiqueta ou uma coluna na planilha com o mês de vencimento de cada lote.
- 3Revise uma vez por mêsSepare o que vence nos próximos 60 dias. O de revenda pode virar kit ou promoção; o de uso entra primeiro nos atendimentos.
Atenção também ao produto aberto: muitos fabricantes indicam um prazo de uso depois de aberto, diferente da validade da embalagem fechada. Siga o que está no rótulo.
Ponto de pedido: quando comprar
O ponto de pedido é a quantidade em que você precisa fazer o pedido para o produto chegar antes de acabar. A conta é a mesma para uso e revenda:
Ponto de pedido = consumo médio por semana × semanas que o fornecedor leva para entregar + margem de segurança.
Para salão com muitos tons, não calcule para cada cor. Calcule para os tons que mais saem (os castanhos e loiros médios, os tons de cobertura de brancos) e compre os tons raros só quando houver cliente agendada.
Inventário: a contagem que mostra a verdade
Inventário é contar tudo e comparar com o que deveria ter. É onde aparecem o desvio, o desperdício e o erro de anotação.
Uma diferença pequena e constante no produto de uso costuma ser desperdício. Uma diferença grande e súbita na revenda pede conversa com a equipe.
Estoque, preço e comissão andam juntos
Sem saber quanto produto cada serviço consome, não dá para saber se uma coloração de R$ 180, por exemplo, dá lucro. O guia de como precificar serviços de salão de beleza mostra como colocar o custo do produto de uso no preço. E se a sua regra de comissão desconta o produto, a conta precisa ser clara para a equipe; veja comissão de cabeleireira com desconto de produto.
Como o atendepramim entra nessa rotina
No atendepramim, o salão tem estoque e venda de produto junto com o caixa e as comandas. A comissão é configurada por serviço e por produto e calculada a cada atendimento, e cada profissional vê só a própria no celular. O financeiro mostra quanto entrou, quanto saiu e as contas a pagar, como a da distribuidora, com aviso antes do vencimento. A medida de gramas da tinta e a validade dos lotes ficam com a ficha técnica e a etiqueta do salão. Veja os detalhes em comissão e financeiro.
Conclusão
Controle de estoque no salão começa por separar o produto de uso do produto de revenda. O de revenda passa pelo caixa. O de uso tem consumo padrão por serviço, anotado na ficha técnica. Com o ponto de pedido calculado para os itens que mais saem, a validade revisada uma vez por mês e um inventário mensal com motivo para cada diferença, o estoque deixa de ser um armário e vira uma conta que fecha. Comece nesta semana pela tinta e pelo oxidante, que são os itens que mais pesam.
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