Aluguel de cadeira ou comissão: qual modelo escolher na barbearia
Como funcionam o aluguel de cadeira e a comissão na barbearia, a conta de quem ganha mais em cada cenário, prós e contras para dono e barbeiro, o que colocar no contrato e os cuidados trabalhistas para levar ao contador.
Foto: František Čaník / Unsplash
Na hora de trazer um barbeiro novo, ou de rever o acordo com quem já está na casa, a pergunta aparece: aluguel de cadeira ou comissão? No aluguel, o barbeiro paga um valor fixo pelo espaço e fica com o que fatura. Na comissão, a barbearia recebe tudo e repassa uma porcentagem. Os dois modelos funcionam, mas mudam quem ganha mais em cada cenário, quem corre o risco do mês fraco e quanto controle o dono tem sobre preço, agenda e cliente. Este guia mostra como cada um funciona, faz a conta com números e lista o que precisa estar no papel.
Como funciona cada modelo
Comissão
O cliente paga à barbearia, e o barbeiro recebe uma porcentagem do que atendeu. A casa define a tabela de preços, cuida da divulgação, da agenda, dos insumos e da maquininha. O barbeiro atende os clientes que chegam, sejam dele ou da casa. É o modelo mais comum em barbearias com marca própria e padrão de atendimento definido.
Aluguel de cadeira
O barbeiro paga um valor fixo, por semana ou por mês, para usar a cadeira e a estrutura da barbearia. Ele recebe direto dos clientes, costuma definir os próprios preços e horários e, em geral, já traz clientela. O que entra no aluguel varia: às vezes inclui água, energia, toalhas e produtos de uso; às vezes só o espaço.
Modelo misto
Há acordos no meio do caminho: um aluguel menor somado a uma porcentagem, ou uma porcentagem com valor mínimo garantido para a casa. Servem para dividir o risco, mas exigem conta e contrato ainda mais claros.
A conta: quem ganha mais em cada modelo
Exemplo hipotético. Um barbeiro fatura R$ 8.000 por mês em serviços. Os insumos (lâminas, papel de pescoço, produtos de uso) custam 5% do faturamento, ou R$ 400. Para simplificar, a conta ignora a taxa da maquininha.
Na comissão de 50%, com a casa pagando os insumos:
- Barbeiro recebe: R$ 8.000 × 50% = R$ 4.000.
- Barbearia fica com: R$ 4.000 − R$ 400 de insumos = R$ 3.600.
No aluguel de R$ 1.800 por mês, com o barbeiro pagando os insumos:
- Barbeiro fica com: R$ 8.000 − R$ 1.800 − R$ 400 = R$ 5.800.
- Barbearia recebe: R$ 1.800.
O ponto de virada
Nesse exemplo, os dois modelos empatam quando o barbeiro fatura R$ 4.000 por mês. Na comissão, ele recebe R$ 2.000 e a casa fica com R$ 2.000 − R$ 200 de insumos = R$ 1.800. No aluguel, ele fica com R$ 4.000 − R$ 1.800 − R$ 200 = R$ 2.000, e a casa recebe R$ 1.800.
- Acima de R$ 4.000: o aluguel é melhor para o barbeiro e a comissão é melhor para o dono.
- Abaixo de R$ 4.000: a comissão é melhor para o barbeiro e o aluguel é melhor para o dono. Com R$ 3.000 de faturamento, o barbeiro receberia R$ 1.500 na comissão e só R$ 1.050 no aluguel.
A lição da conta é que o dinheiro é o mesmo; muda quem fica com o risco. No aluguel, o dono tem receita fixa e o barbeiro carrega o mês fraco. Na comissão, os dois ganham juntos quando a agenda enche e perdem juntos quando ela esvazia. Antes de fixar valores, refaça a conta com o faturamento real do barbeiro e com os seus custos; o guia quanto cobrar por um corte ajuda a levantar o custo por atendimento.
Prós e contras para o dono
Comissão
- A favor: você controla preço, padrão de atendimento e agenda. O cliente se relaciona com a barbearia, e a receita cresce junto com o movimento.
- Contra: você paga os custos e carrega a cadeira vazia. Há mais trabalho de gestão: fechamento, vales e conferência da comissão.
Aluguel
- A favor: receita previsível, que entra mesmo em semana fraca, e menos rotina de fechamento.
- Contra: menos controle sobre preço e padrão. O cliente tende a ser do barbeiro e vai junto quando ele sai. Se o barbeiro fatura muito, a casa ganha o mesmo valor fixo. E existe o risco de atraso no aluguel.
Prós e contras para o barbeiro
Comissão
- A favor: não paga nada quando o mês é fraco, recebe clientes que chegam pela divulgação da casa e não se preocupa com insumos e maquininha.
- Contra: quando fatura muito, entrega metade ou mais para a casa e tem pouca autonomia sobre preço e horário.
Aluguel
- A favor: fica com tudo o que passa do aluguel e dos custos, e decide preço, horário e forma de trabalho.
- Contra: paga o aluguel mesmo sem cliente, cuida da própria divulgação, compra os insumos e assume a taxa da maquininha.
Em resumo: o aluguel costuma servir ao barbeiro com clientela formada e agenda cheia; a comissão costuma servir ao barbeiro em início de carreira e à barbearia que quer marca e padrão únicos.
O que combinar por escrito
Seja qual for o modelo, acordo de boca vira discussão. Antes do primeiro dia, coloque no papel:
- 1Modelo e valoresPorcentagem de serviço e de produto, ou valor do aluguel, data de vencimento e regra de reajuste.
- 2Base da comissãoSe a taxa da maquininha e os descontos saem antes do cálculo. Na parceria, o repasse da taxa só vale se estiver no contrato; com carteira assinada, o TST já considerou ilegal descontar a taxa da comissão. O passo a passo está em como calcular a comissão do barbeiro.
- 3O que está inclusoCadeira, bancada, toalhas, produtos de uso, água, energia e internet: quem paga cada item.
- 4Quem recebe do clienteSe o dinheiro passa pela barbearia ou vai direto para o barbeiro, e quando é feito o repasse.
- 5Agenda e horárioComo o barbeiro marca clientes, em que horários atende e como avisa folgas.
- 6Venda de produtosSe o barbeiro pode vender os produtos da casa, os próprios ou nenhum, e com qual porcentagem.
- 7Clientes e cadastroO que acontece com o histórico dos clientes quando o barbeiro sai.
- 8SaídaAviso prévio, prazo para desocupar a cadeira e acerto final.
Cuidados trabalhistas, em termos gerais
Este trecho não é parecer jurídico. Serve para você saber o que perguntar ao contador e a um advogado trabalhista antes de assinar.
O nome do contrato não decide sozinho a relação. Chamar de "aluguel" ou de "parceria" não basta se, na prática, o barbeiro cumpre horário imposto, recebe ordens, não pode recusar cliente e trabalha como qualquer empregado. Nessas situações, existe risco de a relação ser reconhecida como vínculo de emprego, com os encargos correspondentes.
Para salões e barbearias, existe uma lei específica: a Lei 13.352/2016, conhecida como Lei do Salão-Parceiro. Ela permite um contrato de parceria entre a barbearia (salão-parceiro) e o barbeiro (profissional-parceiro). Nesse formato, a barbearia centraliza os pagamentos dos clientes, retém a sua parte e repassa a parte do barbeiro. O contrato precisa ser escrito e homologado pelo sindicato da categoria ou, na falta dele, pelo órgão local do Ministério do Trabalho. A própria lei prevê vínculo de emprego quando não há contrato formalizado nos termos dela ou quando o barbeiro exerce funções diferentes das previstas no contrato.
Na prática:
- Converse com o contador sobre a forma de cada barbeiro trabalhar (muitos atuam como MEI) e sobre os efeitos de cada modelo nos impostos da barbearia.
- Peça a um advogado trabalhista para revisar o contrato, seja de parceria, seja de aluguel.
- Procure o sindicato da categoria da sua cidade para saber como funciona a homologação.
Como o sistema entra em cada modelo
Na comissão ou na parceria, o trabalho mensal é calcular quanto cada barbeiro recebe. No atendepramim, você cria regras de comissão por barbeiro, em porcentagem ou valor fixo, por serviço, por produto ou por categoria de produto. Por padrão, a barbearia absorve a taxa do cartão e a comissão sai sobre o valor bruto; se o contrato de parceria prever, você cria uma regra para o barbeiro pagar a taxa ou dividir meio a meio. Cada atendimento registrado gera a comissão de quem atendeu.
No aluguel, a comissão não se aplica, mas a agenda continua importando: cada barbeiro com seus horários, na mesma página de agendamento da barbearia. Para acompanhar o valor fixo que entra todo mês junto com o restante do dinheiro da casa, veja as práticas de controle financeiro e caixa.
Perguntas frequentes
Pode. É comum ter um barbeiro com clientela própria no aluguel e outros na comissão. O cuidado é ter um contrato para cada um e regras claras sobre agenda, produtos e uso do espaço, para ninguém se sentir em desvantagem.
Comece pelos custos que a cadeira gera (parte do aluguel do imóvel, energia, água, produtos incluídos) e some a sua margem. Depois compare com o que a mesma cadeira daria na comissão com um faturamento típico, como no exemplo acima. Um aluguel muito acima do ponto de virada só atrai quem fatura bem acima da média.
Não. Na parceria da Lei 13.352/2016, a barbearia recebe dos clientes e repassa a parte do barbeiro, em porcentagem. No aluguel, o barbeiro recebe dos clientes e paga um valor fixo à barbearia. As consequências de cada formato são diferentes, por isso vale confirmar com o contador.
Depende do que for combinado. Na comissão, o cliente costuma ser tratado como da casa; no aluguel, como do barbeiro. Escreva isso no contrato, inclusive o que acontece com o cadastro e o histórico quando o barbeiro sai.
Escolha pelo risco, não só pela porcentagem
A escolha entre aluguel de cadeira e comissão depende de quanto o barbeiro fatura, de quem traz o cliente e de quem aguenta o mês fraco. Faça a conta do ponto de virada com o faturamento real, decida quem fica com o risco, coloque tudo no contrato e passe esse contrato pelo contador e por um advogado antes de assinar. Revise o acordo uma vez por ano: o barbeiro que chegou sem clientela pode, depois de dois anos, fazer mais sentido no aluguel, e o contrário também acontece.
Continue lendo sobre equipe
Ver os 4 artigosBarbearias · Equipe
Escala e folga dos barbeiros: como organizar sem buraco na agenda
Como montar a escala dos barbeiros com jornada fixa, almoço escalonado, regra de sábado, feriados e férias, e como colocar tudo na agenda para o cliente nunca marcar com quem está de folga.
Barbearias · Equipe
Agenda para vários barbeiros: uma página para o cliente marcar
Como organizar a agenda para vários barbeiros em uma página única: o cliente escolhe serviço e barbeiro e vê só horários livres, cada barbeiro tem sua agenda e cada atendimento fica registrado para a comissão.
Barbearias · Equipe
Comissão do barbeiro: como calcular (e a taxa da maquininha)
Como calcular a comissão do barbeiro, quem paga a taxa da maquininha em cada vínculo (carteira assinada, parceria ou aluguel de cadeira), separar comissão de serviço e de produto, descontar vales e fechar a semana de dois barbeiros com números.
Você corta. A gente atende.
A IA responde no seu WhatsApp, marca horário 24 horas e ainda fecha o caixa e a comissão de cada barbeiro.
Sem cartão de crédito · Cancele quando quiser