Aluguel de cadeira ou comissão: qual modelo escolher na barbearia

Como funcionam o aluguel de cadeira e a comissão na barbearia, a conta de quem ganha mais em cada cenário, prós e contras para dono e barbeiro, o que colocar no contrato e os cuidados trabalhistas para levar ao contador.

Wellington Dalaqua22 out 2026 · 8 min
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Fileira de cadeiras de barbeiro com lavatórios numa barbearia de parede de tijolos

Foto: František Čaník / Unsplash

Na hora de trazer um barbeiro novo, ou de rever o acordo com quem já está na casa, a pergunta aparece: aluguel de cadeira ou comissão? No aluguel, o barbeiro paga um valor fixo pelo espaço e fica com o que fatura. Na comissão, a barbearia recebe tudo e repassa uma porcentagem. Os dois modelos funcionam, mas mudam quem ganha mais em cada cenário, quem corre o risco do mês fraco e quanto controle o dono tem sobre preço, agenda e cliente. Este guia mostra como cada um funciona, faz a conta com números e lista o que precisa estar no papel.

Como funciona cada modelo

Comissão

O cliente paga à barbearia, e o barbeiro recebe uma porcentagem do que atendeu. A casa define a tabela de preços, cuida da divulgação, da agenda, dos insumos e da maquininha. O barbeiro atende os clientes que chegam, sejam dele ou da casa. É o modelo mais comum em barbearias com marca própria e padrão de atendimento definido.

Aluguel de cadeira

O barbeiro paga um valor fixo, por semana ou por mês, para usar a cadeira e a estrutura da barbearia. Ele recebe direto dos clientes, costuma definir os próprios preços e horários e, em geral, já traz clientela. O que entra no aluguel varia: às vezes inclui água, energia, toalhas e produtos de uso; às vezes só o espaço.

Modelo misto

Há acordos no meio do caminho: um aluguel menor somado a uma porcentagem, ou uma porcentagem com valor mínimo garantido para a casa. Servem para dividir o risco, mas exigem conta e contrato ainda mais claros.

A conta: quem ganha mais em cada modelo

Exemplo hipotético. Um barbeiro fatura R$ 8.000 por mês em serviços. Os insumos (lâminas, papel de pescoço, produtos de uso) custam 5% do faturamento, ou R$ 400. Para simplificar, a conta ignora a taxa da maquininha.

Na comissão de 50%, com a casa pagando os insumos:

  • Barbeiro recebe: R$ 8.000 × 50% = R$ 4.000.
  • Barbearia fica com: R$ 4.000 − R$ 400 de insumos = R$ 3.600.

No aluguel de R$ 1.800 por mês, com o barbeiro pagando os insumos:

  • Barbeiro fica com: R$ 8.000 − R$ 1.800 − R$ 400 = R$ 5.800.
  • Barbearia recebe: R$ 1.800.

O ponto de virada

Nesse exemplo, os dois modelos empatam quando o barbeiro fatura R$ 4.000 por mês. Na comissão, ele recebe R$ 2.000 e a casa fica com R$ 2.000 − R$ 200 de insumos = R$ 1.800. No aluguel, ele fica com R$ 4.000 − R$ 1.800 − R$ 200 = R$ 2.000, e a casa recebe R$ 1.800.

  • Acima de R$ 4.000: o aluguel é melhor para o barbeiro e a comissão é melhor para o dono.
  • Abaixo de R$ 4.000: a comissão é melhor para o barbeiro e o aluguel é melhor para o dono. Com R$ 3.000 de faturamento, o barbeiro receberia R$ 1.500 na comissão e só R$ 1.050 no aluguel.

A lição da conta é que o dinheiro é o mesmo; muda quem fica com o risco. No aluguel, o dono tem receita fixa e o barbeiro carrega o mês fraco. Na comissão, os dois ganham juntos quando a agenda enche e perdem juntos quando ela esvazia. Antes de fixar valores, refaça a conta com o faturamento real do barbeiro e com os seus custos; o guia quanto cobrar por um corte ajuda a levantar o custo por atendimento.

Prós e contras para o dono

Comissão

  • A favor: você controla preço, padrão de atendimento e agenda. O cliente se relaciona com a barbearia, e a receita cresce junto com o movimento.
  • Contra: você paga os custos e carrega a cadeira vazia. Há mais trabalho de gestão: fechamento, vales e conferência da comissão.

Aluguel

  • A favor: receita previsível, que entra mesmo em semana fraca, e menos rotina de fechamento.
  • Contra: menos controle sobre preço e padrão. O cliente tende a ser do barbeiro e vai junto quando ele sai. Se o barbeiro fatura muito, a casa ganha o mesmo valor fixo. E existe o risco de atraso no aluguel.

Prós e contras para o barbeiro

Comissão

  • A favor: não paga nada quando o mês é fraco, recebe clientes que chegam pela divulgação da casa e não se preocupa com insumos e maquininha.
  • Contra: quando fatura muito, entrega metade ou mais para a casa e tem pouca autonomia sobre preço e horário.

Aluguel

  • A favor: fica com tudo o que passa do aluguel e dos custos, e decide preço, horário e forma de trabalho.
  • Contra: paga o aluguel mesmo sem cliente, cuida da própria divulgação, compra os insumos e assume a taxa da maquininha.

Em resumo: o aluguel costuma servir ao barbeiro com clientela formada e agenda cheia; a comissão costuma servir ao barbeiro em início de carreira e à barbearia que quer marca e padrão únicos.

O que combinar por escrito

Seja qual for o modelo, acordo de boca vira discussão. Antes do primeiro dia, coloque no papel:

  1. 1
    Modelo e valoresPorcentagem de serviço e de produto, ou valor do aluguel, data de vencimento e regra de reajuste.
  2. 2
    Base da comissãoSe a taxa da maquininha e os descontos saem antes do cálculo. Na parceria, o repasse da taxa só vale se estiver no contrato; com carteira assinada, o TST já considerou ilegal descontar a taxa da comissão. O passo a passo está em como calcular a comissão do barbeiro.
  3. 3
    O que está inclusoCadeira, bancada, toalhas, produtos de uso, água, energia e internet: quem paga cada item.
  4. 4
    Quem recebe do clienteSe o dinheiro passa pela barbearia ou vai direto para o barbeiro, e quando é feito o repasse.
  5. 5
    Agenda e horárioComo o barbeiro marca clientes, em que horários atende e como avisa folgas.
  6. 6
    Venda de produtosSe o barbeiro pode vender os produtos da casa, os próprios ou nenhum, e com qual porcentagem.
  7. 7
    Clientes e cadastroO que acontece com o histórico dos clientes quando o barbeiro sai.
  8. 8
    SaídaAviso prévio, prazo para desocupar a cadeira e acerto final.

Cuidados trabalhistas, em termos gerais

Este trecho não é parecer jurídico. Serve para você saber o que perguntar ao contador e a um advogado trabalhista antes de assinar.

O nome do contrato não decide sozinho a relação. Chamar de "aluguel" ou de "parceria" não basta se, na prática, o barbeiro cumpre horário imposto, recebe ordens, não pode recusar cliente e trabalha como qualquer empregado. Nessas situações, existe risco de a relação ser reconhecida como vínculo de emprego, com os encargos correspondentes.

Para salões e barbearias, existe uma lei específica: a Lei 13.352/2016, conhecida como Lei do Salão-Parceiro. Ela permite um contrato de parceria entre a barbearia (salão-parceiro) e o barbeiro (profissional-parceiro). Nesse formato, a barbearia centraliza os pagamentos dos clientes, retém a sua parte e repassa a parte do barbeiro. O contrato precisa ser escrito e homologado pelo sindicato da categoria ou, na falta dele, pelo órgão local do Ministério do Trabalho. A própria lei prevê vínculo de emprego quando não há contrato formalizado nos termos dela ou quando o barbeiro exerce funções diferentes das previstas no contrato.

Na prática:

  • Converse com o contador sobre a forma de cada barbeiro trabalhar (muitos atuam como MEI) e sobre os efeitos de cada modelo nos impostos da barbearia.
  • Peça a um advogado trabalhista para revisar o contrato, seja de parceria, seja de aluguel.
  • Procure o sindicato da categoria da sua cidade para saber como funciona a homologação.

Como o sistema entra em cada modelo

Na comissão ou na parceria, o trabalho mensal é calcular quanto cada barbeiro recebe. No atendepramim, você cria regras de comissão por barbeiro, em porcentagem ou valor fixo, por serviço, por produto ou por categoria de produto. Por padrão, a barbearia absorve a taxa do cartão e a comissão sai sobre o valor bruto; se o contrato de parceria prever, você cria uma regra para o barbeiro pagar a taxa ou dividir meio a meio. Cada atendimento registrado gera a comissão de quem atendeu.

No aluguel, a comissão não se aplica, mas a agenda continua importando: cada barbeiro com seus horários, na mesma página de agendamento da barbearia. Para acompanhar o valor fixo que entra todo mês junto com o restante do dinheiro da casa, veja as práticas de controle financeiro e caixa.

Perguntas frequentes

Pode. É comum ter um barbeiro com clientela própria no aluguel e outros na comissão. O cuidado é ter um contrato para cada um e regras claras sobre agenda, produtos e uso do espaço, para ninguém se sentir em desvantagem.

Escolha pelo risco, não só pela porcentagem

A escolha entre aluguel de cadeira e comissão depende de quanto o barbeiro fatura, de quem traz o cliente e de quem aguenta o mês fraco. Faça a conta do ponto de virada com o faturamento real, decida quem fica com o risco, coloque tudo no contrato e passe esse contrato pelo contador e por um advogado antes de assinar. Revise o acordo uma vez por ano: o barbeiro que chegou sem clientela pode, depois de dois anos, fazer mais sentido no aluguel, e o contrário também acontece.

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