Quanto cobrar por um corte: como calcular o preço

Passo a passo para calcular quanto cobrar por um corte: custo fixo por hora de cadeira, insumos, comissão, taxa, imposto e margem, com um exemplo que chega ao preço final e confere a sobra em cada faixa de preço.

Wellington Dalaqua22 out 2026 · 7 min
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Barbeiro sorri enquanto ajeita o cabelo de um cliente sorridente na cadeira da barbearia

Por que acertar quanto cobrar por um corte muda a saúde da barbearia

Quanto cobrar por um corte? Copiar o preço da barbearia da esquina é o caminho mais comum e o mais arriscado, porque o aluguel, a comissão e a ocupação dela não são os seus. O preço certo cobre o custo da cadeira, paga o barbeiro, paga o imposto e ainda deixa uma sobra para reinvestir.

Preço, ocupação e volume

Preço baixo pode encher a agenda e ainda assim dar prejuízo, se cada corte não cobre a parte dele no aluguel e na comissão. Preço alto sem entregar valor esvazia a cadeira. E a ocupação muda a conta: quanto mais horas a cadeira trabalha, menor o custo fixo de cada corte. Por isso a conta abaixo começa pelas horas produtivas.

Quanto cobrar por um corte: a conta passo a passo

Exemplo hipotético, com números redondos: barbearia com 2 cadeiras e corte simples de 45 minutos. Troque cada número pelo seu.

Passo 1, custo fixo por hora de cadeira

Some tudo o que você paga no mês, cortando ou não:

  • Aluguel: R$ 2.000
  • Energia e água: R$ 500
  • Internet e sistema: R$ 200
  • Limpeza: R$ 300
  • Contador: R$ 300
  • Marketing: R$ 400
  • Outros: R$ 300

Total: R$ 4.000 por mês. Se você é MEI, o DAS mensal entra aqui. Se o dono não corta e faz só a gestão, a retirada dele também entra aqui.

Agora as horas produtivas. 2 cadeiras × 8 horas × 25 dias = 400 horas abertas. Com ocupação de 50% (hipótese), são 200 horas efetivamente atendendo.

Custo fixo por hora: R$ 4.000 ÷ 200 = R$ 20. Como o corte leva 45 minutos (0,75 hora), cada corte precisa cobrir R$ 20 × 0,75 = R$ 15 de custo fixo.

Passo 2, insumos por corte

Liste o que vai em cada corte e o custo de cada item:

  • Lâmina: R$ 1,00
  • Papel de pescoço e toalha descartável: R$ 0,50
  • Produto de finalização: R$ 1,00
  • Álcool, talco e higienização: R$ 0,50

Total de insumos: R$ 3. Somando com o passo 1, o custo direto do corte é R$ 15 + R$ 3 = R$ 18.

Passo 3, comissão e taxa da maquininha

Comissão e taxa são porcentagens sobre o preço, então não se somam em reais; entram na fórmula do passo 5. No exemplo:

  • Comissão do barbeiro: 50%, calculada, neste exemplo, sobre o valor depois da taxa da maquininha, como num contrato de parceria que preveja esse desconto.
  • Taxa média da maquininha: 2% (exemplo, misturando Pix sem taxa, débito e crédito).

Com carteira assinada, a taxa não pode sair da comissão: o TST já considerou esse desconto ilegal, e a comissão sai sobre o preço cheio. Quem paga a taxa em cada vínculo, com a conta centavo por centavo, está em como calcular a comissão do barbeiro.

Passo 4, imposto

No Simples Nacional, o imposto é uma porcentagem do faturamento; no exemplo usamos 6%. No MEI, o DAS é um valor fixo por mês e já entrou no custo fixo do passo 1. Confirme a alíquota do seu caso com o contador; o Sebrae também tem orientação sobre regimes e formação de preço.

Passo 5, margem e preço final

Defina a sobra que você quer em cada corte para reinvestir e ter lucro. No exemplo, 10%.

Some as porcentagens sobre o preço: comissão 50% + taxa 2% + imposto 6% + margem 10% = 68%. Sobram 32% do preço para cobrir o custo direto de R$ 18.

Preço = custo direto ÷ (1 − porcentagens) = R$ 18 ÷ 0,32 = R$ 56,25.

Arredonde para um valor de tabela: R$ 55. Como, neste exemplo, a comissão é calculada depois da taxa, o barbeiro recebe um pouco menos que 50% do preço cheio, e por isso arredondar para baixo ainda mantém a margem perto de 10%. Se a barbearia absorver a taxa, a comissão a R$ 55 sobe para R$ 27,50 e a sobra cai para R$ 5,10, cerca de 9%.

Conferindo a conta: R$ 55, R$ 45 e R$ 40

Veja quanto sobra em cada corte com os custos do exemplo:

  1. 1
    A R$ 55taxa R$ 1,10; comissão R$ 26,95 (50% de R$ 53,90); imposto R$ 3,30; custo direto R$ 18. Sobra R$ 5,65, cerca de 10% do preço.
  2. 2
    A R$ 45taxa R$ 0,90; comissão R$ 22,05; imposto R$ 2,70; custo direto R$ 18. Sobra R$ 1,35, cerca de 3%.
  3. 3
    A R$ 40taxa R$ 0,80; comissão R$ 19,60; imposto R$ 2,40; custo direto R$ 18. Prejuízo de R$ 0,80 por corte.

Ou seja: nessa barbearia, R$ 40 parece um preço competitivo, mas cada corte custa dinheiro ao dono.

Degradê e serviços mais longos

Faça a mesma conta para cada serviço. Um degradê de 60 minutos no exemplo: custo fixo de R$ 20 (1 hora) + R$ 4 de insumos = R$ 24. Preço: R$ 24 ÷ 0,32 = R$ 75.

O efeito da ocupação

Se a ocupação subir de 50% para 70%, as horas produtivas passam de 200 para 280. O custo fixo por hora cai para R$ 4.000 ÷ 280 = R$ 14,29, e o custo fixo do corte de 45 minutos cai de R$ 15 para cerca de R$ 10,71. Reduzir faltas e horários vazios melhora a margem sem mexer no preço; veja como no guia para reduzir faltas na barbearia.

E o preço do bairro?

O seu custo é o piso; o bairro mostra o teto. Olhe o preço de 3 a 5 barbearias próximas, com perfil parecido com o seu. Se o seu preço calculado ficou muito acima do bairro, o problema costuma estar na ocupação baixa ou num custo fixo alto, não no preço.

Como reajustar preços sem perder cliente

Com a conta feita, o desafio é aplicar a nova tabela sem assustar quem já é cliente.

Comunicação clara

Avise antes, com uma mensagem curta no WhatsApp e um aviso no balcão, dizendo a data em que a nova tabela começa. Explique pelo que o cliente recebe, não pela sua conta de custos. Exemplo: "A partir de 1º de março, a nova tabela entra em vigor para manter a mesma qualidade e o mesmo tempo de atendimento."

Alternativas para o cliente sensível a preço

  1. Mantenha o preço antigo por um mês para quem já é cliente fixo.
  2. Ofereça pacotes ou um plano mensal na barbearia para quem vem com frequência.
  3. Separe a tabela em corte simples e serviços completos, para o cliente escolher.

Reajuste gradual

Prefira dois reajustes pequenos a um grande. Comece pelos serviços em que a conta deu prejuízo ou margem baixa, acompanhe a agenda por algumas semanas e só depois mexa no resto da tabela.

Como o sistema confirma a conta

A conta acima usa estimativas. O número real vem do dia a dia: quantas horas a cadeira trabalhou, quanto cada serviço faturou e quanto foi de comissão.

No atendepramim, cada agendamento abre uma comanda com serviço e barbeiro, o caixa registra abertura, sangria, suprimento e fechamento, e a comissão sai com a regra da taxa do cartão que você definir e os vales descontados. O financeiro reúne contas a pagar e a receber e mostra o lucro do período. Com esses números em mãos, refaça a conta a cada três meses com a ocupação real, e não com a estimada.

Perguntas frequentes

Some todas as despesas fixas do mês e divida pelas horas produtivas, que são as horas abertas multiplicadas pela ocupação. No exemplo, R$ 4.000 ÷ 200 horas = R$ 20 por hora. Depois multiplique pelo tempo de cada serviço.

Resumo

Calcule o custo fixo por hora, some os insumos, inclua comissão, taxa, imposto e margem como porcentagens e divida. No exemplo, isso deu R$ 56,25 e uma tabela de R$ 55 para o corte e R$ 75 para o degradê, enquanto um corte a R$ 40 dava prejuízo. Depois confira com o preço do bairro e, a cada trimestre, refaça a conta com os números reais do mês.

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